É que às vezes parece que fomos talhadas para isto, parece mesmo. Para coisinhas poucas, para chutos no rabo, para gajos desequilibrados ("gosto muito de ti, mas..."), para gente que só se lembra de nós quando os apelos da carne se fazem sentir. Mais do que parecer que nascemos para isto, parece que nascemos para o aceitar com normalidade. É a nossa cruz, que fazer? Oh, que caraças, é que há tanta coisa para fazer que nem sei por onde começar. Talvez começar por dizer o que pensamos, em vez daquilo que achamos que querem ouvir. Talvez não achar que estamos sempre a perder alguma coisa única quando, na verdade, se está só a perder mais um igual a tantos. Talvez não ficar à espera do que já se sabe que vai acontecer, e pôrmo-nos a andar primeiro. Talvez começar a recusar chamadas, em vez de ficar a olhar para o telefone à espera que ele toque. Talvez dizer "não estou com ele porque ele não gosta de mim, e isso não me chega", em vez de "só estamos juntos às vezes porque ele não gosta de mim". Talvez parar de dar cabeçadas na parede a tentar arranjar desculpas, quando, tantas vezes, a desculpa é só mesmo "ele está-se a cagar".
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