Saturday, December 12, 2009

Há alturas na nossa vida em que nos sentimos perdidos. Eu estou assim. Sei a razão, mas também não consigo admiti-la a mim mesma. Todos os dias me escondo atrás de um muro que eu própria criei, por defesa, e que agora me angustia e leva a ficar num limbo e numa crise existencial que nem eu própria sei muito bem quando começou.
Noutro dia um amigo dizia-me que eu era daquelas pessoas fortes no que respeita a muita coisa mas que, emocionalmente, era frágil como cristal. E aquilo deixou-me a pensar. Porque é a mais pura das verdades. Sou muito frágil, e também tenho muito medo de o admitir. Parece que, verbalizando as coisas elas se tornam reais e mais pesadas e, de certa forma, isso leva-nos a confrontar as coisas (ou a pensar nelas de outra forma).

A verdade é que me envolvi mais do que seria desejado. Num dia como outro qualquer, quando menos o esperava, houve alguém que me bateu à porta e entrou pela minha vida adentro de outra forma. E se inicialmente eu tinha tudo controlado, neste momento o despiste é total. Admito-o. Pela primeira vez admito e escrevo-o aqui. Não consigo esconder mais de mim mesma que, aquilo que sinto, acabou por ultrapassar a barreira da amizade e é, neste momento, outra coisa qualquer, mais forte. Não lhe chamarei amor, mas é algo que mexe comigo, que me destabiliza, que mexe com o meu emocional de uma forma que eu, inicialmente, não queria.

E agora sinto-me perdida. Perdida porque não consigo controlar nada disto. Perdida porque não o posso expressar. Perdida porque vivo uma mentira para comigo e para com os outros porque não quero (nem convém) admiti-lo. E custa. Custa muito, porque quando não o admitimos e vivemos outra coisa qualquer que não aquela que sentimos, vivemos também com o coração nas mãos. Com uns dias que são bons e outros que são maus, porque nunca sabemos o que lá vem. Porque nada podemos pedir, pela forma como as coisas são vividas e faladas, porque não há honestidade da minha parte para com o "outro alguém".

E eu não sei o que dizer. Nem o que fazer. Nem o que sentir. E estou à espera que o amanhã me traga a coragem suficiente para finalmente (lho) admitir. E sei que nesse dia tudo mudará. E também sei que ficarei a perder (talvez não mais do que perco agora, todos os dias).

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